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24/01/2018

0 Soneto - Virgínia Victorino



Pelo sagrado amor que vem de ti,
amor que eu amo com amor sagrado;
pelo Ideal descoberto e realizado,
- bendita seja a hora em que te vi!

Pelas malditas horas que vivi
no desejo de amor tão desejado;
pelas horas benditas. ao teu lado,
- bendita seja a hora em que nasci!

Pelo triunfo enorme; pelo encanto
que me trouxeste, é que eu bendigo tanto
a hora suave que te viu nascer...

Amor do meu amor! Amor tão forte,
que se um dia sentir a tua morte,
será bendita a hora em que eu morrer!


Virgínia Victorino



0 Quando te Vi - Poema de Virgínia Victorino




A manhã era clara, refulgente.
Uma manhã dourada. Tu passaste.
Abriu mais uma flor em cada haste.
Teve mais brilho o sol, fez-se mais quente.

E eu inundei-me dessa luz ardente.
Depois não sei mais nada. Olhei... Olhaste...
E nunca mais te vi. . . - Raro contraste! –
A madrugada transformou-se em poente.

Luz que nasceu e apenas cintilou!
Deixou-me triste assim que se apagou,
às vezes fecho os olhos; vejo-a ainda...

E há tanto sol dourando esses trigais!
Olhaste, olhei, fugiste... Ai, nunca mais,
nunca mais tive outra manhã tão linda!


Virgínia Victorino


0 Manhã - Poema de Virgínia Vitorino





Oh, a frescura intensa da manhã,
Batendo, lado a lado, toda a estrada ! 
_Inda há pouco apanhei uma braçada
De alfazema florida, ingénua e sã...
     
Abre no céu, a fulgida romã
Que em beijos de oiro se desfaz, cansada,
Oh, como eu sinto agora remoçada
A minha fé tranquila de cristã...
     
Nos silvados despontam as amoras,
Começa, ao longe, a vibração das noras
Todo o campo se alegra e se ilumina !
    
Passam pardais a grazinar em bando,
Um rebanho, um pastor, de quando em quando,
_E cheira a mato, a frutos, a resina...

     
       Virgínia Vitorino 


0 Horas - Poema de Virgínia Victorino




Tem cada hora uma decifração.
As horas falam e têm gestos, cores.
Na hora da manhã - vê que esplendores! -
É diferente a sua vibração.

Repara bem na hora dos amores.
É um coração com outro coração.
Tem a hora maior palpitação.
Tem vida, movimentos e langores.

É cada hora um livro, e cada qual
da sua forma o lê: ou bem ou mal.
- Horas que vão e que não voltam mais!

Para mim há só duas. Males... bens...
É a hora dourada em que tu vens,
e a hora dolorosa em que te vais.


Virgínia Victorino



0 Êxtase- Poema de Virgínia Vitorino




Não sofras mais, amor, não digas nada!
Vem comigo; eu te levo. A noite é densa
e agora a voz do mar ficou suspensa,
dolorida, vibrante, apaixonada!

Não tarda muito a luz da madrugada...
Vem comigo! Não penses! Não se pensa!
Vem à conquista da aventura imensa,
vê, como eu vou, feliz e deslumbrada!

Um grande sonho me enlouquece e invade!
Vem procurar comigo a Eternidade
esse país tão vago, tão distante...

Vem, que eu busco o palácio da quimera
lá, onde seja eterna a primavera,
e a voz divina das estrelas cante!



Virgínia Vitorino

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